quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Earl grey

Ver a tinta das ervas do chá espalhar-se na água do fervedor. Deve ser a coisa mais bonita que tenho visto ultimamente. Há toda uma calma na simplicidade do acontecimento que me cativa.
Sim, devo andar necessitado de uma certa felicidade "doméstica".
E isto está a ganhar contornos que não me agradam. E estou a falar da escrita.

"Ah, c'est la couronne qu'il m'a donnée.
Elle est tombée en pleurant."
(Mélisande na ópera Pelléas e Mélisande, acto I)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

en proie à une immense détresse

Ponto final, parágrafo. Está tudo à beira de começar a mudar. Para pior, com perda significativa de companhias quotidianas.
Ainda que certas coisas corram bem. Nem o fim das avaliações tem o mesmo sabor.
Tenho medo de não saber lidar com isto.


"Ô Magali, ma bien-aimée,
Fuyons tous deux sous la ramée..."
(Vincent na ópera Mireille, acto II)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

C'est en vous que j'ai foi, parlez pour moi

Os bilhetes há muito guardados lá saíram da gaveta.
Por onde começar? Ah sim, detesto assinantes nascidos antes de 1940 que passam os intervalos a cortar na produção moderna mesmo ao meu lado.
Aliás, eu até gostei da interpretação à década de 70 e de alguns aspectos mais "fortes". O Faust a tirar a camisa era dispensável, mas a Marguerite a matar o filho em cena e o regresso de um Wagner completamente mutilado da guerra não eram de todo absurdos.
O acto do jardim deixou-me deveras encantado. O ambiente nocturno de quintal de bloco de apartamentos foi muito bem conseguido e gostei como nesse momento a ópera foi posta a um nível bastante terreno e realista sem perder o charme ou a dignidade, o que me agradou. É possível a Marguerite cantar a balada do rei de Thulé enquanto muda uma planta de vaso.
Acho que a minha opinião quanto a este acto mudou. A música e o intimismo da sucessão perfeita de cenas com poucas personagens convenceram-me. Por outro lado, os coros que abrem e fecham o segundo acto não me arrebataram como eu esperava. Gostei dos momentos de freeze
do primeiro deles.
O Siébel, essa personagem que eu tanto queria conhecer em carne e osso, estava simplesmente adorável com aquele andar desajeitado dentro de um fato largo aos quadrados. A cantora conseguiu dar-lhe toda a inocência de um rapaz apaixonado na canção das flores.
Tive pena de que o cenário que representava uma sala enorme servisse para vários espaços, às vezes dificultava a percepção do local em questão. Cenas como a do regresso dos soldados ou a da igreja estavam geniais, parecendo até na primeira que fazia parte daquilo.
O elenco agradou, sobretudo a limpidez do par romântico. Ainda poderia falar de uma série de coisas, mas o jardim, esse, seduziu-me...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

cold january

Lá fomos, comer japonês e passear pela Baixa. Há quanto tempo não fazia a Avenida da Liberdade a pé? Fazia tanto frio, sentámo-nos num banco ao sol, em plena avenida. E falar, falar, falar. Tentar dizer tudo o que a distância não permite com frequência. As coisas continuam as mesmas, noutros cenários.
Entretanto, volto a derreter-me ao ouvir "Que son regard est tendre et que j'ai de plaisir à l'entendre..." lançado pela Manon. Lembra-me o sabor do gelado de pêssego todas as tardes daquele Verão. Até que ponto sinto falta?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Aveiro, 0h01

Nos foguetes toda a inocência e expectativa, por momentos toda a realidade num delicioso stand by.
Depois... que o álcool e a música tomem a palavra. Corramos todas as ruas.
De manhã, o sol brilhava.

"Profitons bien de la jeunesse,
Des jours qu'amène le printemps ;
Aimons, rions, chantons sans cesse,
Nous n'avons encor que vingt ans !"
(Manon na ópera Manon, acto III)